Friday, March 10, 2023

P.S. Beijei.

 




P.S. Beijei é um livro escrito pela autora Adriana Falcão e lançado na sua primeira edição pela editora Moderna Paradidático em 2004. Falcão nasceu no Rio e mudou-se para Recife aos 11 anos. Mesmo após o suicídio de seus pais Falcão seguiu com a vida e se formou em Arquitetura, porém nunca chegou a exercer a profissão de arquiteta, já que logo achou sua vocação na literatura. Publicou seu primeiro romance, A Máquina em 1999 e embora tenha diversas obras literárias, Falcão chegou a trabalhar em roteiros e produção de longas-metragens, como o icônico O Auto da Compadecida (2000).


P.S. Beijei (2004) conta a trajetória de conversas por meio de e-mail entre duas amigas, Alice e Beatriz, que estão passando as férias de verão longe uma da outra e a jornada pessoal de ambas em busca do primeiro beijo. 


A estrutura da obra pode ser vista como “exótica”, todo o texto é mostrado à partir de e-mails trocados entre as protagonistas, com informações típicas desse tipo de documento, data e hora de envio, um tópico de assunto em todas as mensagens, e a linguagem usada é informal, o que encaixa no tema levando em conta a idade das personagens.


Beatriz vai passar as férias na casa da avó no interior do estado de São Paulo enquanto Alice fica na capital, mas para o choque de Beatriz sua avó comprou um computador, o que acaba possibilitando uma comunicação à distância entre as amigas. As conversas de Alice e Beatriz começam descontraídas, com ambas discutindo seus objetivos para o mês que vão passar separadas, entre eles o primeiro beijo, isso parafraseando com o trabalho que Beatriz tem ao ensinar sua avó a utilizar o computador recém-comprado. Conforme os dias passam, Alice se prepara psicologicamente para uma festa onde a banda de seu irmão irá tocar e Beatriz conta do desenvolvimento da sua amizade, forçada por sua avó, com o filho de uma vizinha. Com o andar da história, o dia da festa chega, onde Alice dá seu primeiro beijo com um garoto não aprovado por Beatriz, o que acaba abalando a amizade das duas, depois de sumir por alguns dias, Beatriz retorna a responder Alice, só que com uma personalidade completamente diferente do que ela costumava ter, e agora Alice faz de tudo para tentar voltar ao que era antes com sua melhor amiga.


Falcão trabalha muito bem o comportamento de adolescentes, ela consegue passar veracidade nos diálogos mesmo já sendo uma mulher adulta, que cresceu em uma época diferente da retratada no livro. A autora consegue trazer de volta o sentimento de juventude que só se vive uma vez na adolescência, onde as maiores preocupações de alguém são coisas simples, como o tão esperado primeiro beijo. A amizade das protagonistas é trabalhada de uma forma em que o leitor consiga se apegar à elas em poucas páginas. Para um livro tão curto, o misto de sensações que a obra passa chega a ser absurdo, o conflito principal funciona muito bem. A resolução no final traz consigo uma sensibilidade incrível com o choque de gerações envolvendo histórias da avó de Beatriz, mostrando que mesmo em épocas diferentes, adolescente segue sendo adolescentes.




Alunos : Saulo, Pietro.

Pobre corinthiano careca: uma mistura envolvente de crônicas e memórias sobre a paixão pelo futebol.

 

"Pobre Corinthiano Careca" é um livro escrito por Ricardo Azevedo que narra a história de um torcedor fanático do Corinthians e suas aventuras em busca de sua paixão pelo futebol. O livro, publicado em 2016 pela editora Geração Editorial, é uma mistura de crônicas e memórias que trazem à tona as experiências do autor como torcedor e os sentimentos que o futebol desperta nas pessoas.

A obra tem um tom bem-humorado e descontraído, o que faz com que o leitor se identifique facilmente com o protagonista. Azevedo é um cronista experiente e sabe como prender a atenção do leitor com suas histórias engraçadas e emocionantes. O livro é dividido em diversos capítulos curtos, o que facilita a leitura e torna a experiência mais agradável.

Além de contar suas próprias histórias, Azevedo faz uma análise interessante sobre o papel do futebol na sociedade e na vida das pessoas. Ele discute temas como a rivalidade entre torcidas, a paixão pelo esporte e a influência do futebol na cultura brasileira. Esses temas são abordados de forma leve e descontraída, mas sem perder a seriedade e a profundidade.

Outro ponto positivo do livro é a forma como Azevedo consegue expressar sua paixão pelo Corinthians. O autor é um torcedor fanático do time e sua devoção é claramente refletida em suas palavras. Ele descreve as emoções de um jogo de futebol de forma vívida e emocionante, o que faz com que o leitor se sinta parte da torcida.

Em resumo, "Pobre Corinthiano Careca" é um livro divertido e emocionante que vai agradar tanto aos fãs de futebol quanto aos que não são tão aficionados pelo esporte. Com uma linguagem acessível e uma narrativa envolvente, Rodrigo Azevedo nos convida a conhecer um pouco mais sobre sua paixão pelo Corinthians e sobre a cultura do futebol no Brasil.

Por:Felipe Tavares Palma

Thursday, March 9, 2023

O Olho de Vidro do Meu Avô: Enxergar além do real




  



































 Bartolomeu Campos de Queirós apresenta em sua obra "O Olho de Vidro do Meu Avô" (2004), uma visão de um menino sobre a vida de seu avô, principalmente após o uso constante de um olho de vidro azul, que o neto indagava sobre os mistérios que aquele olho parecia ver e enxergar.

Escrito em períodos curtos, o narrador retrata suas dúvidas e curiosidades a respeito de seu avô, relembrando momentos de seu passado e questionando sobre sentimentos que envolvem suas relações familiares, e também há uma dúvida permanente sobre o olho de vidro de seu avô. Dentro dessas dúvidas, o neto cria metáforas sobre as metades de seu avô, onde o olho direito enxergava a realidade e o esquerdo criava coisas novas.

A narrativa da história é fluida e desperta no leitor lembranças adultas da infância. Os períodos curtos dão a impressão de que a história se passa dentro do pensamento do narrador, entre uma informação e outra ele insere uma reflexão, algumas expressões e ditados populares.

Como na descrição dos personagens no texto de Gabriela Luft, aqui não encontramos a presença direta de antagonistas, a história é toda pela visão do protagonista, porém em alguns pontos da história o narrador nos permite ver algumas falhas de caráter do avô.

Na relação entre os familiares podemos ver uma falta de diálogo entre eles, como são divididos, como o avô vigiava seus filhos "com o olho de verdade". A situação da avó que sofre com a infidelidade do marido que a deixa sozinha e ela fica em silêncio, como todos parecem sempre estar, em silêncio. 

O texto que apesar de ter um tom de "criança contando história" é na verdade o neto já mais velho após alguns anos contando sobre a infância, sobre sua família e fazendo muitas reflexões dentro da história.

Dentre as reflexões, algumas são muito profundas e geram grande emoção sobre assuntos que talvez não estejam diretamente relacionados com a história, mas levam o leitor a pensar nelas.
    O texto me levou a pensar sobre a infância, sobre o tempo, sobre o que consigo ou não me lembrar, sobre o que eu vivo hoje, sobre como a vida daqueles personagens, que apesar de serem retratados com tanta reflexão me pareceu tão vazia. 

Me enxerguei nesse texto poético e reflexivo, como se estivesse vendo o meu próprio reflexo. Acho que todos nós vemos a vida de dois jeitos diferentes, pelo menos eu vejo. Um lado enxerga a realidade da vida, o outro, cria, imagina, fantasia, como uma fuga da realidade.

Confesso que com a leitura desse livro me surpreendi, me emocionei e refleti sobre diversos aspectos da vida. 
Me deixou encantada, e com sentimento de saudades da infância. 

Concluindo, depois da leitura do texto de Luft quando ela fala sobre os personagens e suas descrições, percebemos que se aplica muito bem nesse livro a questão psicológica do antagonista ou a falta dele, o tempo e o espaço, pois o narrador também traz uma reflexão sobre sua cidade e como o mundo todo poderia ter o nome da cidade onde o avô morava, afinal, quem não gostaria de morar em um Bom Destino?

"Eu também gostaria de possuir um olho assim, que estava distante de mim, sobre o criado.
Ter meu olho me espiando de longe. Quem sabe, eu me conheceria melhor? Conheceria minha superfície sem necessidade de espelho. Um olho capaz de vigiar meu sono, me protegendo dos fantasmas que nos visitam se descuidamos de nós. 
E dormir é descobrir-se de si mesmo. Dormir é ficar desarmado, é não ser mais proprietário do próprio corpo. Ah! Como o olho do meu avó me enchia de dúvidas!"


Por: Débora,Rubia e Tainá

Contos de Enganar a Morte: nessa brincadeira, somente um se safou


Contos de Enganar a Morte (2003), não é o primeiro trabalho de Ricardo Azevedo no folclore brasileiro. Nesse livro, temos a narração da Morte sendo ludibriada pelos personagens prestes a ‘’abotoar o paletó’’. O autor é marcado por reescrever contos populares e trazer para suas obras a linguagem coloquial, como por exemplo “esticar as canelas”, “bater as botas” e “entregar a rapadura” (falares encontrados no livro para se referir ao destino final, a morte).


A obra digna de Menção Honrosa no Prêmio Jabuti 2004, é dividida em quatro contos acompanhados de ilustrações de autoria do próprio escritor, onde a morte é escrita de forma lúdica e de linguajar fácil retratando esse tema incomum de forma leve e divertida, essencial para as crianças. Como destaca Gabriela Luft, no artigo “A literatura juvenil brasileira no início do século XXI: autores, obras e tendências” (2010), a partir dos anos 60 e 70, as inovações demandam maior complexidade dos elementos que configuram o discurso narrativo, por isso, “os livros infantojuvenis tiveram de variar seus temas, tanto para refletir os problemas de vida próprios da realidade dos leitores quanto para responder à preocupação educativa que, fruto de novas atitudes morais, debilitava o consenso sobre a preservação da infância e da adolescência como etapas inocentes e não contaminadas, pensamento comum na narrativa de décadas anteriores. Surgem, pois, narrativas mais centradas em ‘encarar os problemas, do que em ocultá-los’”. E assim Ricardo de Azevedo fez. 


No primeiro conto "O homem que enxergava a morte", um pobre homem sai às ruas em busca de alguém para apadrinhar seu sétimo filho. Deixado sem escolha, a Morte em pessoa o acolhe e faz um acordo com o sujeito: ele se tornaria um médico, e garantiria seu sucesso vendo a Dona toda vez que visitasse um adoentado. Chegando ao fim de sua vida, o médico se recusa a partir e fecha um acordo de que ela apenas o levaria quando terminasse de rezar uma Ave Maria. Tal acordo o protegeu por alguns anos até que cai numa armadilha criada e protagonizada pela própria e tem a vida ceifada.


Em "O último dia na vida do ferreiro", o personagem principal a caminho de casa encontra uma senhora faminta que o pede alimento. Após essa ação solidária, descobre que é uma mulher mágica que o concede três desejos, entre eles, uma viola, que quando tocasse, as pessoas não conseguiriam parar de dançar. Após um ano de vida a mais ganhado após ter botado a Morte para jingar, ele pinta os cabelos e põe uma barba falsa, mente ser o tio da própria esposa. No entanto, seu plano falha quando a Morte resolve levar sua alma no lugar da do ferreiro.


No terceiro conto, "O Moço que Não Queria Morrer", embarcamos em uma jornada em busca do lugar onde a morte não existe. Pessoas fazem propostas muito boas ao longo do caminho, mas para o moço, somente a vida eterna era o objetivo. Até que encontra esse tal lugar e vê que não seria tão feliz assim, nem mesmo com o amor ao seu lado, então decide voltar para casa. Lá nada era como antigamente. 500 anos se passaram e o moço que antes tinha tudo, agora não tem nada, nem mesmo sua vida.


Por fim, “A Quase Morte de Zé Malandro”, conhecemos um rapaz que gostava de passar a vida zanzando e jogando baralho. Um dia, Zé, muito bondoso, não nega comida a um velhinho que em retribuição lhe concede quatro pedidos. Zé Malandro enganou a morte, enganou o diabo, enganou a diaba e foi expulso do céu, e dizem, que ele ainda anda por aí, jogando seu baralhinho.


Ao decorrer de todo o livro, observamos o quanto os personagens apenas se preocupam em escapar da única certeza que todos têm: a morte. Ricardo sempre tem alguma cartada final por trás de seus livros, e com esse não seria diferente. Dessa vez ele enfatiza a importância de se preocupar com a vida, aproveitar cada segundo e as pessoas à nossa volta. Depois de tratar o assunto de forma cômica e criativa em seu livro “Contos de Enganar a Morte”, Ricardo Azevedo ainda aconselha seus leitores: “Segundo o ditado popular, não é preciso se preocupar com a morte. Ela é garantida e ninguém vai ser bobo de querer roubá-la da gente. O importante é cuidar da vida, que é boa, bela, rica, preciosa e inesperada, mas muito frágil. Ela, sim, pode ser roubada”.



Alunas: Isabela Moreno e Maysa Alves

Todos contra Dante: bulling e suas consequências.


 Florentino é novo na escola, gosta de ler A divina comédia, de Dante Alighieri, e carrega o apelido de seu autor amado. Ele vem de um bairro pobre, origem humilde e por esse motivo é excluído e hostilizado pelos colegas do colégio. Mas o que era para ser apenas "brincadeira" de adolescentes ganha dimensões trágicas e as conseqüências são devastadoras. 4 colegas agressores espancam Dante e ele acaba vindo à óbito. Só que até chegar a esse ponto, todos falam mal do menino, de sua família, zombam o quanto podem. Mesmo com o desenrolar da história, os personagens em momento algum se arrependem do que fizeram pelo motivo de que Dante está mal no hospital, mas sim porque ficam com medo de serem pegos.

Com uma linguagem ágil, Luís Dill constrói uma cuidadosa reflexão sobre nossa sociedade atual. E nesse cenário, quase sempre maquiado, a violência espreita.

Todos contra Dante se baseia - infelizmente - em fatos reais, onde uma menina foi espancada até a morte e o autor usa a obra para retratar a realidade das escolas. O leitor vai sentindo a dor do menino a cada passar de página, e o fim, infelizmente é trágico e doloroso.

Alunas: Grazieli e Mariam


O sábio ao contrário: o código genético dos puns



 Lançado pela primeira vez em 2009, o livro “O sábio ao contrário” de Ricardo de Azevedo traz uma narrativa lúdica e cômica que instiga, no interior, uma reflexão necessária à sociedade.

A obra utiliza uma linguagem simples e conta com ilustrações para enriquecer a narrativa, que por sua vez conta a história de um velho estudioso de uma ciência pouco conhecida: a ciência dos puns.

A pesquisa do sábio, perito na chamada “peidologia”, tinha o seguinte fundamento: todo ser vivo solta puns e a partir deles pode-se descobrir muito sobre quem os emite, quase como o código genético denominado DNA.

Com um objeto de estudo tão incomum, o protagonista era constantemente ridicularizado pelos moradores da vila em que vivia. Mesmo sem apoio, ele não desistia de seus estudos e de seu bom-humor, e sempre dizia: "Minha ciência é séria, a partir do pum de uma pessoa é possível entender se é uma pessoa feliz ou triste, rica ou pobre, criança ou adulto [...]", pois acreditava que sua ciência e seus estudos eram capazes de salvar a humanidade.

Certo dia, a filha do rei adoeceu. Médicos prestigiados foram chamados, mas nenhum foi capaz de identificar o que a menina tinha. O rei, desacreditado e aflito, resolveu dar atenção a uma criança, que deu a ideia de chamar o velho sábio da vila. Ao ser convocado, o velho sábio apareceu no quarto da princesa com um grande sorriso no rosto, coletou as flatulências da princesa e descobriu o problema: um nó na garganta que havia se formado, ao reprimir sentimentos ruins, que vieram de um dia em que encontrou uma criança sem-teto, revirando lixo para sobreviver. A filha do rei acabou falecendo, mas o sábio derramou seus medicamentos em seus lábios e ela voltou à vida. 

Para comemorar a saúde da princesa, o rei preparou uma enorme festa e ordenou ao sábio que pedisse o que quisesse: fama, títulos, riquezas... mas ele só queria se casar com a princesa. O rei, incrédulo com a diferença de idade, negou o pedido, mas a princesa aceitou como forma de agradecimento.

Durante um ano, o sábio se dedicou a passar todo o seu conhecimento e amor pela peidologia para a princesa, que acabou se apaixonando por ele verdadeiramente. Ao ouvir a declaração, o velho deu uma cambalhota para trás e se transformou num jovem. É revelado à princesa que, por ter cheirado os gases de um bruxo traiçoeiro, havia sido enfeitiçado, e que graças a seus estudos e ao amor, havia ficado livre. 

As ilustrações da obra nos remetem as xilogravuras da histórias de cordel, assim como o tema bem humorado e os episódios divertidos e comentários dos personagens. Afinal, dentre as poucas coisas que podem igualar um pobre e um rico, um brasileiro e um alemão, um bebê e um idoso são, como apresentado no livro: puns, que significam muito mais do que reações naturais do corpo. Significam o constante lembrete de que todos somos humanos: cheios de qualidades e defeitos. Ricardo de Azevedo soube encontrar todo o bom humor e profundidade presente em cada indivíduo em gases expelidos.

A única preocupação que a narrativa pode trazer é a escolha da característica mais marcante do personagem principal: sua idade. Quando a princesa aceita se casar com o sábio, sua aparência de ser muito idoso havia sido reforçada durante todo o livro, mesmo que depois a reviravolta final nos explique não ser bem assim. Seria interessante da parte do autor procurar outra alternativa para definir esse personagem tão peculiar, pois é muito persistente nos perguntarmos: será que uma criança não pode normalizar tamanha diferença de idade num relacionamento romântico? Que impactos isso teria na sua vida adulta?


Alunas: Ana Julia de Morais, Júlia Nunes e Ana Júlia Rissoni.

Wednesday, March 8, 2023

O fazedor de velhos: uma história que ensina a crescer.

 




No livro “O fazedor de velhos”, de Rodrigo Lacerda, acompanhamos - através de uma narrativa íntima, em primeira pessoa - a vida de Pedro, um jovem de classe média, apaixonado por literatura, que se vê entre a adolescência e a vida adulta, cercado por dúvidas, anseios e questionamentos.

O menino, apesar de gostar de livros clássicos e ter como companheiros autores como Shakespeare e Eça de Queiroz, era um garoto comum. Passou boa parte do ensino médio apaixonado platonicamente por uma garota que o trocou por outro rapaz na formatura e durante muito tempo, ficou em dúvida a respeito da faculdade e do seu futuro; nada que fuja dos padrões das histórias adolescentes. As partes incomuns dessa história ficam sob responsabilidade de uma outra figura, um pouco mais misteriosa, um velho professor com o qual sua vida se entrelaça curiosamente diversas vezes. Um senhor chamado Nabuco, ou o fazedor de velhos.

Após diversos encontros ocasionais entre os dois personagens, em um aeroporto e na formatura de Pedro, o jovem finalmente se aproxima da figura do professor quando se sente assombrado por questionamentos comuns na adolescência: Será que esse é o caminho certo? O que fazer do futuro? Ou o terrível: Desistir é uma opção? Dentre tantas dúvidas, a estranha figura do professor se revela como um mentor para o mais novo, e passa a usar de sua sabedoria para ensiná-lo sobre a vida e sobre seus sentimentos.

Durante a leitura da obra o leitor pode observar a construção de uma incrível e improvável amizade entre diferentes gerações, aprendendo e se emocionando com os diálogos e experiências dos personagens.

O livro, publicado em 2008, se mostra extremamente atual, e retrata com maestria temas comuns na vida adolescente: o amor, as amizades, a dificuldade em amadurecer e as dúvidas da escolha profissional. Utilizando dos conceitos que Gabriela Luft apresenta no texto “A literatura juvenil brasileira no início do século XXI: autores, obras e tendências”, podemos dizer que é uma história que viaja entre os gêneros do amadurecimento, da interpessoalidade e da vida em sociedade, e se mostra ideal para a formação social e leitora de jovens entre 12 e 15 anos, que se veem na mesma situação complicada do personagem e podem encontrar, na literatura de Rodrigo Lacerda, seu próprio Fazedor de Velhos.

O autor, já conhecido por livros como “Hamlet e Amleto” e “Vista do Rio”, traz à literatura infantil brasileira uma obra significativa que valoriza o poder da escrita contemporânea e faz jus as suas diversas premiações. O livro é essencial para ensinar, através da leveza da voz de um adolescente, sobre as dificuldades da vida e sobre a necessidade de ficção. A narrativa de “O fazedor de velhos” é envolvente, descomplicada e simples, capaz de encantar não só crianças e jovens, mas também adultos que desejam e precisam se reencontrar com seus sonhos esquecidos de infância. É uma leitura necessária e emocionante, que, através da simplicidade, pode transformar vidas e, de fato, ensinar a crescer.

 

Aluna: Júlia Papageorgiou